(Encontro em Família) Na sala do Jared

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*Esta cena foi originalmente enviada em Janeiro de 2015 para os assinantes da newsletter. E se chamava “Esperando a tia-avó”*

*A cena pode conter spoilers e só deve ser lida por aqueles que já leram os 3 livros da Trilogia Ward*

Sienna tinha que confessar que estava nervosa com a reunião de todos aqueles Ward no mesmo lugar, especialmente porque a tia-avó estava vindo junto com a filha, Victoria. Ela já havia conhecido todos que estariam lá hoje, mas agora estava mergulhada num mar de Ward e ainda não conseguia agir como se nada estivesse acontecendo. Afinal, era uma mortal. A cada vez que ela piscava, outro daqueles morenos maravilhosos, altos e fortes passava por aquela porta.

E aqueles sorrisos? Quando abriam eram um golpe. Quando estavam juntos, nenhum deles parecia o que descreviam por aí. Afinal, moreno sensual, perigoso, sombrio ou misterioso eram descrições básicas de homens Ward. Nem Sean ficava sério ali. Jared havia recuperado o bom humor e estava interagindo novamente. Derek ficava falante. Gregory ficava extrovertido. Hud até chegou na hora e acreditem, conseguiram tirar Gabriel do plantão.  

E o mais incrível era que eles não vinham acompanhados. Ao menos a maioria não. Ela ficou sentada lá no balcão e observou Sean voltar da cozinha segurando um copo alto com água bem gelada com rodelas de limão dentro. Porque foi o que Beatrice pediu. Ele se sentou ao lado dela e relaxou contra o sofá. Sean estava relaxado agora, porque mais cedo, lá na sede do GW ele estava olhando as pessoas como se fossem ameaças potenciais. Jared estava se divertindo demais com isso.

Beatrice estava grávida e foi a sede europeia do GW que ficava em Londres, depois foi almoçar em um restaurante próximo com Sean, Jared e Derek. Até no saguão do GW as pessoas sacavam o celular para tirar foto e além dos paparazzi, pessoas na rua queriam vê-la grávida. Era o maior assunto. A última vez que viram uma grávida na família Ward foi há cinco anos, na gravidez da ex-mulher de Derek e ela não era famosa. Naquela época esse negócio de todo mundo postando foto o tempo todo não estava tão desesperador. Mas os blogs de fofocas já estavam lá, só não tão implacáveis como agora.

E Sean estava agindo como um animal altamente perigoso e arredio que protegia o ninho. Bea não parava de rir dele, mas era melhor não fazer movimentos bruscos perto dela. Na verdade, era melhor nem se aproximar de Bea. Ou fazer como aqueles programas do Discovery Channel que o pessoal ia desbravar a selva e encontrava os animais mais perigosos do mundo e os observava de binóculos.

O melhor era mover-se bem devagar, sem movimentos abruptos, nesse caso, era melhor avisar da aproximação. E se Sean por acaso desse sinal de que não gostou da pessoa, era melhor sair correndo. Era assim que qualquer um devia se comportar perto de Beatrice no momento.

E quando Sean não estava por perto na rua, algo que se tornara difícil, havia Don. E ele estava bancando o papai urso. Nada de aproximações. “Sai fora” era seu bordão atual. Até Hartie — dá para imaginar isso? — havia sido contaminado pelo comportamento de Sean. E ficava ao lado de Bea lançando olhares de pouco caso para as pessoas como se dissesse “não, você não. Vaza que não fui com a sua cara”. Em casos de insistência, Hartie dava uma acenadinha para Don e fazia aquela cara de “dá um jeito aqui, querido”.

Desde a festa de aniversário de Sean, que Sienna não via Beatrice. Então ela ficou um pouco surpresa com a barriga que Bea já ostentava. Ainda não estava enorme, mas era impossível não notar. E ela estava linda, havia ganhado pouco peso e tirando a barriga, a diferença era que estava usando chinelos. Um modelo claro, enfeitado e largo, com duas faixas grossas sobre o pé e solado bem fofo. Ao menos os pés inchados eram outro sinal da sua gravidez, porque não seria justo com o mundo se ela ficasse grávida e ainda pudesse sair por aí em cima daqueles seus saltos.

— Titia disse que chegará em cerca de meia hora — avisou Derek que quase sentou em cima do gato, porque Malo tinha pulado para o seu lugar. Ele o pegou no colo e acariciou levemente, apesar de aproveitar por um momento, Malo pulou para o braço do sofá onde Sean estava.

Todo mundo começou a se ajeitar. Era no mínimo cômico, aqueles homens puxando gola de camisa, ajeitando paletó e passando a mão no cabelo porque a tia-avó estava vindo. Ela era a matriarca da família, já havia comandado o Grupo Ward há vários anos e nada acontecia sem ela. Ninguém casava, ficava noivo, assumia cargo no GW ou lhe dava netos, bisnetos, etc, sem avisá-la. Ela quase não andava de avião, então para encontrá-la e fazer um “momento em família” todos tinham que se deslocar do local no mundo onde estivessem para vir vê-la.

Só porque podia, Anne Ward escolhia momentos oportunos e emitia convites. A menos que fossem casos de vida ou morte, era difícil os convidados da família faltarem. Dessa vez ela chamou só os “seus garotos” e Beatrice recebeu um só dela.

Engraçado que naqueles anos sombrios da vida de Sean e Bea, a tia-avó foi um dos raros motivos para eles embarcarem juntos em uma viagem. No entanto, ela tinha sexto sentido, porque quando eles já estavam no fundo do poço, a ponto de mal se falarem, ela não os convidou. Mas sempre via Sean quando ele ia a Londres e podia ser daí que tirava suas pistas.

Pelo que parecia, ela fazia esses encontros para tentar ter momentos “normais” dentro da família, porque vamos combinar, que Ward e normal são praticamente antônimos. Alguém tinha que dar uma ajuda nessa área.

— Já que ela vai demorar meia-hora, posso me ajeitar depois, não é? — perguntou Bea, levantando o copo quando Malo passou por cima das coxas de Sean, depois pelo seu colo e se aconchegou ao seu lado.

— Claro — disse Sean. — Mas você não tem nada para ajeitar.

— Reparou que ultimamente tudo você diz que pode? — ela franziu o cenho pra ele. — Só porque estou com essa barriga enorme.

— Eu sempre digo que você pode — ele ajeitou a gravata. — Ela gosta de me ver de gravata, sabe-se lá porquê. Tô bem?

— Não diz nada, deixa de ser sacana — ela ajeitou a gravata dele com uma das mãos. — Ta gato demais, titia não vai resistir a todo esse charme — Bea piscou pra ele e sorriu.

Sean pegou o banco estofado que ela esteve usando e colocou de volta no lugar e Bea colocou as pernas pra cima dele. Pelo jeito essa seria a última viagem de avião que Beatrice faria antes do parto e havia sido justamente para ver a tia-avó e para ser vista por ela. É claro que não queria perder o chá da tarde, depois ela ria e implicava com todos eles por se comportarem como verdadeiros lordes na hora do chá com a tia-avó.

— E meu garotão, chutando muito? — Jared perguntou a Beatrice, sentou do outro lado dela e sobressaltou Malo que não gostou e passou por cima do colo dele e deitou do outro lado. 

Ah, é. Havia exceções ao comportamento de dinossauro tomando conta do ninho que Sean exibia agora. Ele não fazia isso entre a família, era um bom momento para relaxar. Com aquele bando de Ward, se saísse em público a pobre Beatrice teria que aguentar uma onda de machos protetores olhando todo mundo com desconfiança. Sorte dela que no dia a dia só precisava aguentar isso de um deles.

— Vai ser uma menina, Jared — disse Beatrice, franzindo o cenho e devolvendo o copo a Sean que o descansou na mesa de centro.

— Como você sabe?

— Eu sei, ué. Vou ao médico semana que vem — ela ficou com a ponta dos dedos batendo na barriga. — Além disso, é muito mais divertido. Imagina só o Sean se virando para dar conta de uma garotinha minúscula. E vocês carregando aquela coisinha pequena num vestido bem chamativo.

É claro que Jared já estava pleno no seu papel de padrinho, tio e má influência. E Sean mal podia esperar para segurar sua garotinha, ia ser engraçado sim e ele ia ama-la demais. Porém, se viesse um menino, Jared ia se divertir por ter dado o palpite certo, Beatrice ia amar se viesse um mini Wardzinho e ainda seria engraçado para todos eles.

— Não dá pra ser menina. Vai ser ela e a Tibby, as duas meninas mais mimadas da face da Terra. Com esse bando de glutão aqui babando e comprando coisinhas fofas para meninas. Vai ser ridículo! — Jared riu. — A nossa sorte é que para ver a Tibby temos que ir até a praia. Mas com essa pequena aqui, vamos ser todos um bando de babacões. Não temos meninas por perto para mimar.

— Acostume-se — disse Sean. — Eu já estou em terapia interna.

— Tio, o que é glutão? — perguntou Travis, o filho de cinco anos de Derek.

— Esse bando de tio que você tem aqui, são todos glutões — ele explicou.

— E isso é bom? — perguntou o menino.

— Pare de ensinar coisa errada a ele, Jared — disse Gregory. — Glutão é um animal, ele vive nas zonas frias do planeta e se parece com um urso.

— Mas no popular, quer dizer que uma pessoa come demais — disse o pai, passando a mão no cabelo do filho rapidamente e se afastando para pegar uma bebida.

— E vocês comem? Não parece — disse Travis, olhando para todos eles de cima a baixo.

Beatrice riu da inocência dele e Jared franziu o cenho.

— Garoto, ta pensando que é fácil manter esse corpo esbelto aqui? Como pra caramba! 

— Mas você é um comilão — acusou Bea.

— Só que no vocabulário do seu tio, glutões são um bando de homens grandes e babacas que vão se prestar a um papel ridículo para mimar uma coisinha pequena e com um lacinho na cabeça — Gregory balançou a cabeça. — Mal posso esperar!

Travis pareceu muito confuso, então ele virou para Jared e perguntou baixo:

— Tio, eu também tinha lacinho na cabeça?

— Não, você não tinha — ele riu e colocou a mão nas costas do menino. — Mas não se preocupe, fomos todos glutões com você também. Um bando de idiotas!

— Aprendi a trocar fralda por sua causa — contou Gregory.

— Até você nascer, eu acho que nunca tinha visto uma fralda na vida — Jared piscou para ele.

Travis ficou sorrindo para os tios e subiu no sofá entre eles, descansando a mão sobre o pelo macio de Malo que abriu um olho só para checar e voltou a tarefa de cochilar. Logo depois, Sienna foi abrir a porta, pois essa visita não saía entrando. E a tia-avó entrou na sala e disse:

— Meus queridos, que bom vê-los novamente.

Ela avançou e aquela bolsa clara que levava na dobra do braço, ela deu a Hud para pendurar. Seu cachecol ela deu a Gregory para ele guardar lá na chapelaria também.

— Jared — ela tocou o rosto dele levemente. — Gostei muito da troca na decoração.

— Segui seus conselhos — ele piscou para ela e Anne bateu a mão no ar, sabendo que ele era um charmoso inveterado.

— Ah, finalmente — ela avançou em direção a Bea e lhe deu as mãos. — Você está fantástica, Beatrice. Radiante. Cinco meses, não é?

— Cinco e meio — Bea sorriu.

— Ah, que maravilha. Mal posso esperar. Já sei que voltarei a América no verão.  

Anne deu um beijo no rosto de Sean e seguiu falando com os outros, ela sempre entrava em seu humor mais agradável, a menos que houvesse acontecido algo muito grave. Porque preferia guardar descomposturas sérias para um almoço particular. As outras, todos ali sabiam que fazia parte do lanche diurno com a tia-avó.  


*Esta cena fez parte do projeto do livro do Jared Ward e ainda não foi editada e pode não entrar no livro*

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Esta cena extra antecede o livro Ward3-CAPA300