Um Brunch de Dia dos Pais

*Esta cena foi originalmente postada no grupo de leitores no Facebook para o Dia dos Pais de 2016*

*A cena pode conter spoilers e só deve ser lida por aqueles que já leram os 3 livros da Trilogia Ward*

Era domingo e Sean acordou depois das nove da manhã. Ele se espreguiçou e olhou o relógio e chegou a se sobressaltar. Havia dormido direto até as nove e quarenta? Sem nada acordá-lo no meio? Como? Ele era pai de uma garotinha de um ano e dois meses. E ela era ativa. Ele lembrava de ver Bea deixando a cama, depois disso, nada.

Domingo era o dia que Sean tinha para ficar em casa. Ele ficava de péssimo humor se alguém lhe arranjasse qualquer tipo de evento num domingo. Rico sabia disso, então quando alguém vinha marcar qualquer coisa nesse dia, ele que virava bicho. Porque se entrasse na sala de Sean dizendo que teriam de atender algo em um domingo, ele ia lhe dizer para voltar e consertar.

Ele já fazia isso antes de ter uma filha. Mesmo quando vivia trabalhando, Sean queria o domingo para descansar. Mesmo naquela época sombria e cheia de perigos — como Rico chamava agora, sempre usando um tom mórbido. Ou seja, a época em que Sean estava separado de Beatrice. Agora, não havia mais chance de ele desperdiçar um domingo.

Brianna entrou no seu caminho assim que ele deixou o banheiro, ela havia empurrado a porta do quarto por conta própria. E abanava o rabo, pulando nele e emitindo aqueles ganidos dengosos. Ela era grande, mas quando pulava nele devia pensar que ainda era o filhote que batia no seu joelho.

— Você já acordou! — Disse Bea, aparecendo a sua frente na saleta do terceiro andar onde eles gostavam de tomar café. — Olha que dia lindo! Vamos tomar o brunch na rua!

Ela saiu andando animadamente. O volumoso rabo de cavalo preso no alto da sua cabeça balançava rapidamente conforme ela andava. Sean franziu o cenho, ele tinha jogado um bocado de água gelada no rosto, mas estava fora da cama há cerca de dez minutos.

— Você estava a ponto de ir me acordar para irmos? — Sem alternativa, ele a seguiu.

— Claro que não. Eu ia deixá-lo dormir o quanto você precisasse — ela balançou a cabeça, havia uma boneca embaixo do seu braço e ela a carregava como se fosse uma pasta.

— Você ia me largar aqui em pleno domingo? Qual é?

— Você trabalhou tanto essa semana. Foi e voltou de tantos lugares, entrou naquele avião duas vezes. Eu juro que te traria um doce.

— Um doce? — A pergunta dele era puro pouco caso.

— Um doce delicioso! — Ela riu do tom dele.

— Cadê a Bel?

— Brincando, se eu a deixasse solta ela iria lá escalar a cama para te acordar ou dormir junto. Você sabe que ela pensa que as colchas estão presas em algum lugar, justamente para ela se segurar e subir.

E foi assim que ela deu um susto neles na semana passada. Agarrou-se no edredom da cama desfeita para escalar, mas o tecido escorregou e ela caiu de costas no chão. Com parte da colcha por cima. Eles só escutaram o baque contra o chão e o choro abafado pela coberta grossa. Brianna ficou muito inquieta e gania e latia em volta do montinho de tecido. Como sempre, tudo aconteceu num piscar de olhos.

Num minuto ela estava sentada e no outro tinha se agarrado ao edredom e caído.

Quando foi resgatada, Belle estava mais assustada do que machucada. Pais de primeira viagem como eram, Sean e Bea não sabiam o que fazer. Será que ela ter parado de chorar era bom? Será que devia haver um galo? Ela bateu com a cabeça? Foram só as costas? No fim, levaram para checar.

Bea libertou Belle do cercado no quarto da brincadeira, era o único jeito de conseguir uns minutos para fazer qualquer coisa.

— Papai, papai! — Bel correu, com os braços no ar.

O que era outro histórico de susto. Os pais chegavam e ela ficava doida. Porque agora aquela coisinha tinha aprendido a correr. E Bel corria para eles, com seus olhinhos brilhando e bracinhos no ar. Chamando-os animadamente e pronta para ser pega no colo e abraçada. E há umas semanas, ela tropeçou. Com os braços no ar, não tinha proteção e ainda não tinha o instinto de colocar os braços e mãos na frente para se proteger.

Foi sorte que por acaso ela caiu com o antebraço na frente do rosto e deu com o queixo no chão. Essa doeu muito mais do que a pequena queda do edredom. E lá foram eles outra vez.

Mas não adiantava, Bel continuava correndo para encontrá-los. Ela só crescia, eles não iam impedi-la de se aventurar.

— Bom dia — Sean a levantou e ela se abraçou a ele. — Começou a aprontar cedo ou hoje foi até tarde?

— Pateca! — Bel disse para o pai e apertou as mãozinhas nos seus ombros.

— Ah, Bel! Nós vamos para um lugar diferente e legal, você não vai comer panqueca hoje não. Você tem que aumentar seus horizontes — disse Bea, reclamando da preferência da filha por panquecas quentinhas, macias e com cobertura de geleia e frutas. Deixavam cortadinho e ela sujava a boca toda, mas comia tudo.

Sean riu, Bel não fazia ideia do que era aumentar os horizontes. Ela só queria uma panqueca quentinha para encher sua barriga.

— Além do mais, esses lugares fazem panqueca com ingredientes que você não come ainda, vai que dá um negócio errado aí nessa barriguinha — continuou Bea.

— Acho que não vamos conseguir fugir de isso acontecer em algum momento — respondeu Sean.

— Hoje não! — Bea balançava a cabeça, ainda com a boneca embaixo do braço.

Sean colocou a filha no chão e Belle foi correndo atrás da mãe e pulou atrás dela, tentando pegar a boneca que ela segurava, mas não tinha a menor chance de alcançar. Ela ainda era tão pequena.

— Você sabe para onde nós vamos? — Sean também voltou atrás dela e olhou em volta, procurando um tablet, um jornal ou seu celular, alguma coisa que ele pudesse começar a ler notícias.

— Claro que eu sei! Vamos aqui perto, bem ali no final do Central Park. No Norma’s. O brunch lá é fantástico e eles têm um ambiente amigável para crianças — ela abriu um sorriso.

— E vamos enfrentar uma fila enorme com uma criança?

— Claro que não, eu reservei — ela piscou.

Sean balançou a cabeça.

— Você realmente ia me deixar dormindo — ele voltou para o quarto, pois estava de camiseta e calça de moletom e tinha planejado um banho depois de forrar aquele buraco no seu estômago, agora teria que fazer ao contrário. Com certeza não ia para o brunch naqueles trajes.

***

O Norma’s ficava na Rua 56, dentro do hotel Le Parker Meridien. Da casa deles para lá era bem perto, eles só precisavam descer a Quinta Avenida, pegar a 56 e pronto. Felizmente, os paparazzi tinham muito mais gente para seguir às dez e meia da manhã de domingo. E perderam a chance de pegá-los em um ótimo dia normal.

Sean, de jeans e camisa, parou na entrada e colocou Bel no chão e passou com ela pela porta giratória. Ela gostou e queria ir de novo. Beatrice ia à frente, falando ao celular e usando uma combinação de saia e blusa leve que os blogueiros iam catar pela internet inteira para saber de onde era. Porque ela estava a cara da entrada de verão, chique e confortável para um dos melhores brunches da cidade.

Logo depois, Belle passou rapidamente pelo longo saguão do hotel e correu atrás da mãe até as escadas que davam no Norma’s. O segurança que ficava ali sorriu, provavelmente porque Bel, aquela coisinha pequena, era fofa demais, enquanto corria de forma destemida, sobre aquelas pernas curtas.

Antes de saírem, Beatrice havia dito que precisava fazer uma make leve e pentear o cabelo. E incumbiu Sean de vestir a filha. Ele a pegou no colo e levou para o seu closet, lá a colocou no chão e estudou suas roupas. Bel fugiu pelo quarto para mexer em um boneco que tocava música e Sean a trouxe de volta. Ele pegou um conjunto e um vestido e abaixou a sua frente.

— Que tal? Vamos de azul ou de vermelho? — Ele indagou, abaixado bem a frente dela.

Sean mostrou as roupas, mas Belle as ignorou, levantou as mãos, botou no rosto dele e apertou. Com uma mãozinha de cada lado. E Sean estava com as mãos ocupadas, então começou a rir.

— Você pode brincar com meu rosto mais tarde, Bel. Estamos numa missão aqui, temos que provar que somos um bom time. Você e eu — ele tornou a levantar e bateu o olhar num vestido e gostou daquele.

Bel se enfiou no closet e Sean a capturou de novo, ela se divertia, agarrada a uma blusa e o pai tentava fazê-la soltar. Ele levantou a filha com um braço e pegou o vestido com a outra mão.

— Esse aqui? Gostou? Vamos vestir.

Bel apertou o nariz dele enquanto Sean tentava tirar sua roupa para pôr o vestido, mas deu certo. Ele escolheu um vestido de verão, com alças e florzinhas vermelhas. Prendeu sandálias nos seus pés e arrumou seu cabelo ondulado. Até colocou uma presilha do lado, o que deixou os cachos castanhos arrumadinhos.

Quando Bea apareceu, ele disse:

— Viu, eu sei o que fazer. Sou um pai perfeitamente funcional. E rápido.

Bea olhou para os dois e começou a rir. Sua filha estava adorável, mas gente, quanto mais a menina crescia, mais parecia com o pai. Era uma mini-Ward, como dizia Hartie, literalmente. Ainda bem que agora Bea conseguia enxergar características suas em Bel.

— O que foi? O que eu esqueci? — ele rodou a filha, procurando falhas.

— Nada, ela está perfeita! — Bea sorria.

Eles subiram para o Norma’s e falaram com a hostess que foi a frente. Sean levava Bel no colo, para passarem facilmente. O lugar era espaçoso e iluminado, o visual era moderno, com placas de madeira do chão ao teto cobrindo a entrada, as quatro vigas e o fundo. As paredes eram claras e no fundo, onde ficava a mesa deles, havia painéis levemente dourados que davam uma noção de espaço.

A mesa deles era uma das redondas, lá no fundo, no canto direito, com seis lugares. Perto dos enormes e redondos spots de luz dourados do painel de madeira. As cadeiras seguiam a mistura de linhas retas e suntuosas do ambiente. E de longe Sean viu sua mãe, sua irmã, Tibby e Angelo.

— Você não armou isso no espaço de tempo em que acordei e você decidiu sair — ele disse, atrás dela. Agora já havia sacado o que ele tinha esquecido.

Bea se virou e sorriu para ele.

— Feliz Dia dos Pais, Sean! Você percebeu que esse é o seu segundo ano como pai? Só que no outro a Bel era tão pequena, mal tinha dois meses, eu estava exausta e só lhe desejei um feliz dia e apaguei. Dessa vez as coisas estão mais controladas — o sorriso dela era enorme.

Sean lembrava disso. Ele havia passado a maior parte daquele dia com seu pequeno bebê de dois meses nos braços, enquanto Bea descansava e acordava para amamentar. Foi um dos grandes e vários choques de realidade que ele levou desde que Bel nasceu. Era seu primeiro Dia dos Pais e aquilo fazia parte do lado real de ser um pai de verdade.

Eles chegaram à mesa e os outros se levantaram para cumprimentá-los.

— Feliz dia dos Pais! — Disse Tess, animada. — Não acredito que estou dizendo isso para você! — Ela sorria, abraçando o irmão.

Bel já tinha pulado para o colo da avó, mas depois passou para Bea, enquanto Candace também abraçava o filho. Bea parabenizou Angelo, ele também era um pai novato. E ela sabia que foi duro para ele aceitar que perdeu tanto tempo da vida da filha. Mas ele se esforçou tanto pela Tess. Quando voltou para sua vida ela estava passando por um péssimo momento. E eles quase não deram certo, por um tempo pareceu que o único elo que teriam seria a filha.

E Tibby ficou uma mistura de confusa e maravilhada, agora não vivia longe do pai de jeito nenhum. Sua ingenuidade infantil perdoou completamente, mesmo sem jamais saber todos os motivos que levaram as decisões de seus pais. Foram os adultos que custaram mais para se entender.

— Feliz Dia dos Pais — Sean disse a Angelo que devolveu o cumprimento.

Os dois patinaram um pouco na hora de se encaixar um na vida do outro. Sean não sabia se Angelo ia ficar ou como ficaria e esperou Tess resolver. E Angelo não sabia se dali vinha apoio ou se Sean sequer o aceitaria por perto. Assim, eles acabaram ficando cada um no seu canto até saberem o que fazer um com o outro, conforme a situação progredia.

Bea colocou Bel na cadeira e virou para ele, abraçando-o.

— Feliz dia dos Pais, papai! — Ela passou os braços em volta do pescoço dele e ria contra ele. — Adoro que você tinha certeza que eu ia te deixar dormindo.

— Antes de perceber, eu achava que o Dia dos Pais era amanhã, ia até voltar cedo.

— Bobo! — Ela o beijou levemente e pegou a filha da cadeira. — É dia do papai, Bel. Dá um beijo nele.

Bea sentou e deixou a filha dando beijos no rosto de Sean. Eles pediram uma cadeirinha para ela e se arrumaram em volta da mesa. Os pais receberam presentes de todas. Sean podia ter desconfiado antes da sacola de papel que Bea levou de casa.

— Oba, o menu daqui é fantástico para valer a pena cada caloriazinha — Comemorava Bea, animada por trás do seu cardápio.

Candace sabia bem o que pedia, o Norma’s servia grandes bules de café e chá e havia um no meio da mesa. Sean se serviu do chá que a mãe e Angelo bebiam. Tess bebia um suco de laranja fresco junto com Tibby. E Bea pediu o mesmo para ela e Bel.

— Pateca! — Bel fez um bico e olhou para a mãe e depois deu batidinhas na boca, sinal de que estava com fome.

— Tudo aqui é enorme, Bel — Beatrice lia o cardápio, analisando as opções de panquecas. — Vou pedir uma panqueca e você vai comer só um pedacinho — ela continuou analisando o cardápio em busca do que dar a filha.

— Pai… pateca — Bel olhou para ele e fez aqueça carinha sofredora, como se Sean fosse salvá-la e fazer uma panqueca aparecer no ar. Pois ela ainda não entendia que tinha que esperar, porque era um restaurante.

— Você já vai comer, só mais um pouco — ele a acalmou, pousando a mão em suas costas.

As opções do cardápio para o brunch eram tão extensas e desejáveis que eles precisaram trocar ideias, opiniões e dúvidas.

— O que você vai escolher? Eu quero um pedaço — disse Bea.

— Você vai levar duas horas escolhendo, eu te conheço — Sean se inclinou para ela. — O que você quer?

— Eu quero essa torrada francesa, mas esses Waffles parecem fantásticos, mas tem tantos sabores… você viu essas panquecas diferentes? A Bel não pode comer isso, mas eu posso. Mas o que seria uma pizza de café da manhã? É diferente da normal? E você viu essas opções de omelete? E…

— Beatrice… — Sean balançava a cabeça. Dar aquela opção infinita de doces e novidades a ela era um problema muito sério.

— Me salva, eu não consigo! — Ela olhava as descrições e queria comer tudo. Mas não era capaz, as porções ali eram enormes, ela nem terminaria um deles.

— Eles têm a melhor torrada francesa da cidade, meu bem. Coloque no topo — Candace avisou, daquele seu jeito blasé e abaixou o cardápio. É claro que ela já havia escolhido.

Bea olhou para Sean e disse:

— Surpreenda-me, eu preciso encontrar opções para a Bel.

A filha ainda parecia incomodada e esticou o braço na direção do suco de laranja, para alguém lhe dar mais um gole. No mundo de Bel, fazia uma eternidade que ela não comia, mesmo que houvesse tomado sua mamadeira quando acordou.

— Eu sabia que você ia fazer isso comigo — Sean desceu o olhar pelo cardápio. — Por isso eu já escolhi. Não sou um novato — ele deu um sorriso convencido para ela.

O pedido acabou grande. Os pratos tinham nomes engraçados, todos eram piadas sobre o café da manhã e o que vinha neles. Apesar de elogiar as torradas francesas, Candace pediu Waffle recheado de chantilly, coberto com mirtilo, morango e creme Devonshire. Angelo pediu Bagel e salmão defumado que vinha acompanhado com toda uma seleção de vegetais, creme e caviar. Tess pediu torrada francesa caramelizada, com creme e coberta de caramelo e uma bola de sorvete. Para Tibby ela pediu Waffle de chocolate com frutas.

Sean quis algo salgado para começar, porque estava faminto e foi de omelete de frango com cogumelos, cebola e pimenta. Pretendia fechar com frutas vermelhas e creme de maçã. Beatrice pediu o iogurte cremoso e com frutas para Bel e panqueca simples com banana, pois a menina não ia sossegar enquanto não tivesse seus pedacinhos de panqueca.

 

Gente, acabei de receber aviso aqui no celular que os Ward estão lá no Le Parker Meridien! Parece que foram para o Norma’s! E está a trupe toda de NY. Até o bofe italiano da TessW! Partiu Le Meridien! Porque no Norma’s a gente não vai conseguir entrar hoje nem com a grana dos Ward. Aliás, feliz Dia dos Pais para todos vocês que tem o privilégio de poder partilhar esse dia com eles! Como não rolou de parir os filhos do SeanW nessa vida, só me resta ir stalkear.

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Quando o pedido chegou, Bea ficou olhando para aquela coisa linda e maravilhosa a sua frente.

— Meu Deus, Sean! Você é a minha alma gêmea doce! — Ela abriu um enorme sorriso e colocou as mãos nas bochechas.

Sean sorria, ele sempre se divertia em como ela tinha aquela felicidade simples e fácil de conquistar, quando um doce lindo, bem feito e perfeito era colocado a sua frente. Tinha que ser trabalhoso, ela gostava assim. E toda vez que Beatrice tinha esse tipo de reação, Sean acabava lembrando de quando descobriu essa sua preferência, lá no começo, quando eles ainda estavam apenas se encontrando, sem compromisso algum. Ele havia lhe comprado um pedaço do bolo mais escandaloso que tinha no cardápio.

Bea adorava as oportunidades que tinha para abusar de algo assim. Ele havia escolhido a torrada francesa com o nome mais engraçado e apetitoso e a descrição batia. Era recheada com cheesecake, coberta em poeira de coco e em cima vinha chuviscos de laranja e uma bola de sorvete de baunilha.

— É a maior, mais gorda e mais linda torrada francesa que já vi na vida! E olha que eu tenho experiência! — Ela exclamou, maravilhada com seu prato.

Ela o beijou no rosto e experimentou um pedaço, então colocou a mão sobre o coração e fez um drama. Sean levantou a colher, cortou os morangos e as framboesas do iogurte de Bel e lhe deu uma colherada. E Beatrice cortava a panqueca em pequenos pedaços. Bel abriu a boca para o pai, agora parecia mais contente. Porém, seus olhinhos se desviaram para a panqueca que Beatrice cortava e experimentava antes de lhe dar.

— Era para mastigar, Bel — Sean levantou outra colherada e ela aceitou.

Depois que engoliu, ela fez um som triste e ficou olhando para o pai com aqueles grandes olhos dourados e sofredores, depois desviou o olhar para a mãe.

— Tudo bem, tudo bem. — Disse Bea. — Você começa, meu sorvete vai derreter.

Sean começou a dar pedacinhos da panqueca e da banana para Bel. E ela ficou tão feliz, comia animadamente. Ele deixou alguns no pratinho dela e a deixou comer sozinha. Enquanto ele aproveitava e comia também. Sempre com um olho na comida e outro na filha, para impedir que ela se sujasse toda ali no restaurante.

— Viu, ela tinha certeza que você ia salvá-la — Bea balançava a cabeça para a animação da filha, que não parava de mastigar.

 

Beeshaaa!!! Eles tão com a Belle Ward!!! Eu vou ter um troço! Alguém tira foto quando eles saírem de lá! Essa pessoa dentro do restaurante tem um celular horrível. O negócio não tem zoom, não dá para ver nada! Alguém conhece algum danado rico que esteja comendo no Norma’s agora e tenha um celular bom? Arranjem uma pessoa com um celular de câmera boa! Alguém passa uma propina pro garçom, eu preciso ver isso!

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— Essa é a primeira vez que comemoramos o Dia dos Pais em sei lá quantos anos — comentou Candace, depois de beber um gole de chá. — E eu preciso dizer como estou feliz por tê-los aqui nesse dia. Nós sabemos o quanto custou para chegarmos até aqui e superarmos nossas perdas. E agora ver dois pais nessa nova fase da nossa família — Candace deu um sorriso para eles. — Fico emocionada.

Candace precisou de um lenço para conter lágrimas, mas ao mesmo tempo sorria levemente, olhando todos e especialmente as netas. Ela, assim como os filhos, havia sofrido tanto com a morte de Trent Ward. Ele era o motor que ainda os mantinha funcionando, a ponte que os conectava. E estava tudo tão estremecido depois do sequestro de Sean. E quando Trent morreu, a família desmoronou.

Foram anos até se acertarem. E finalmente estavam juntos novamente. Candace ficava sem palavras quando olhava como seus filhos estavam agora.

— Nunca faríamos isso sem essas maravilhosas adições a família. Obrigada — Candace sorriu para Bea e Angelo. — Vocês foram um reforço na última batalha de uma guerra quase perdida, quando os heróis estão morrendo e depois dali não haverá mais nada. Então entra um exército aliado e salva toda a guerra.

— Ah, meu Deus! Ela está a ponto de ficar poética, há quanto tempo não víamos isso, Sean? — Perguntou Tess.

— Tempo demais — ele se inclinou, pois Candace estava do seu lado esquerdo e passou o braço em volta do seu ombro. — Obrigado, mãe.

— Você já pode me beijar em público, Sean. Eu deixo.

Ele sorriu e deu um beijo no rosto dela e Candace levantou as sobrancelhas e fez aquela expressão de quem controlava o negócio e os outros na mesa riram.

Bel ficou satisfeita com metade da panqueca e já foi mais do que Bea gostaria. Porém, ela ficou querendo o sorvete do creme de maçã do pai.

— Ela já tomou sorvete? — Sean estava em dúvida, ele não lembrava de já ter dado isso a ela.

— Se der problema, você sabe que as fraldas serão suas — avisou Bea.

Sean riu e pegou uma beirinha com a colher e deu a Bel. A menina arregalou os olhos enquanto movia a língua, experimentando algo novo, do jeito que bebês faziam.

— Papa! — ela exclamou, feliz. Não sabiam se estava chamando o pai, se estava falando da refeição ou confirmando que gostou, mas Bel abriu a boca para ganhar mais.

— Chega, sua comilona. Isso é tudo culpa sua, Sean. Sua mãe disse que você era um comilão.

— Pois sua mãe disse a mesma coisa sobre você, lembra? — ele fez cara de deboche.

— Levando em conta o tamanho que você ficou, eu garanto que você consumiu o triplo! — Devolveu Bea.

E Bel continuava querendo provar mais sorvete. Beatrice a tirou da cadeirinha e a pegou no colo, para ela entender que a hora da comida acabara e já podia parar de querer coisas. A tal torrada francesa fantástica que Sean pedira para ela, ficara pela metade. Retiraram os pratos e eles ficaram terminando seus cafés enquanto traziam a conta. E Candace disse que era dela, pois:

— O dia é dos pais, mas eu marquei e em Nova York, a matriarca dos Ward sou eu — ela piscou.

— Não deixe aqueles blogueiros que te amam, ouvirem isso. Você nunca mais terá paz — avisou Tess.

— Eles já sabem, meu bem. Nova York é minha — ela levantou sua xícara e terminou o chá. — Sua tia-avó pode mandar em Londres o quanto ela quiser.

 

Vocês viram a minha rainha da classe saindo do Parker Meridien? Seguida pela trupe toda. Para essas coisas ninguém nos convida para assistir! Eu ficava lá numa mesa perto, quietinho. E a Belle Ward ta ANDANDO!!! Alguém me traz os calmantes! Para o tempo! Eu vou fazer um pôster do SeanW segurando a mão dela e colar no me quarto. Não aguento a barra do meu crush com a coisinha mais fofa dessa cidade! E alguém dá na cara da BeaW, por favor? A mulher tem aquele espetáculo só para ela, mas ainda tem que sambar na nossa cara. De onde é aquela roupa? Eu to morto naquela saia, se batesse um vento ela ia sair voando! Duvido que aquela maldita linda ligasse de pagar calcinha!

Mas olha, aquele bofe italiano da TessW foi bem importado, viu? Vamos adicioná-lo na nossa lista de crushes. Vi uma foto dele na praia e olha, o bofe entrega, corpaço! Mas e esse babado de que ELE é o pai da TibbyW! Até hoje não me recuperei disso. Ela tinha prendido o bofe na Itália esse tempo todo? Por quê, Senhor??

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Bel não gostou de voltar na cadeirinha, ela choramingou e bateu as pernas o tempo todo, porque queria voltar no colo do pai. Era um daqueles momentos que Bea achava maravilhoso, pois ela basicamente a esquecia. Sean a soltou quando estavam chegando e Bel se agarrou a sua camisa, como se a qualquer momento alguém fosse arrancá-la dali. Ela encostou a cabeça e ficou com aquele olhar aborrecido e isto era exatamente algo que lembrava Beatrice.

— Vamos passar o dia juntos, eu te levo para passear, te ensino a encaixar aqueles blocos, até ligo aquele elefante chato. Vou ler algo novo e depois você pode nadar na banheira — Sean conversava com Bel, distraindo-a enquanto subiam. — Mas eu desconfio que é você que vai me deixar por um tempo.

Bel chegou em casa e foi junto com os pais para o quarto, mas apagou lá mesmo. Satisfeita e sem dar nenhum problema “interno” e ainda com sua barriguinha cheia. Sean a colocou no berço, depois ligou a babá eletrônica.

— Eu ainda estou desconfiada, só vou me convencer de que sairemos impunes desse brunch quando ela tomar café, amanhã. Da última vez que ela comeu fora, não deu muito certo. Garanto que você lembra… — Bea ia falando, enquanto deixava o quarto.

Sean encostou a porta do quarto de Bel, andou rapidamente atrás de Beatrice e a surpreendeu ao pegá-la pela cintura e rodá-la para ele.

— Sean! — Ela riu ao ser virada e apoiou as mãos no peito dele.

Ele abaixou a cabeça e tomou sua boca, Beatrice passou os braços em volta do pescoço dele e se entregou ao beijo.

— Já que hoje é dia dos pais — ele disse, contra os lábios dela.

— Eu já te dei presente — ela sorria levemente.

— Não, não deu.

— Você sabe que ela vai acordar — ela brincou com ele e mordeu seu queixo.

— Eu só quero um carinho — ele pediu.

— Ah, Sean — ela sorriu e desceu os braços, apertando-se contra ele e descansando o rosto no seu peito. — Você não pode ser fofo também. Tem que escolher entre arrasador e irresistível ou fofo. Senão é golpe baixo.

— Eu não jogo para perder — ele a abraçou pela cintura e a levou com ele.

Sean se sentou no sofá da saleta e a deixou sobre seu colo, Beatrice sentou-se sobre suas coxas e permaneceu o olhando. Ela passou os dedos pelo seu cabelo escuro, empurrando-o para trás e deixando correr por suas mãos. Sean sorriu levemente e fechou os olhos, ele gostava quando ela resolvia tirar um momento para agradá-lo.

— Eu já te disse que você é o pai mais fantástico para nossa garotinha? — Bea perguntou e suas mãos pararam na nuca dele.

— Sim, mas nunca é demais escutar. Eu fico lembrando disso quando não faço ideia do que fazer com ela.

Beatrice riu. Agora a vida deles era um festival de não saber o que fazer e ter que descobrir em segundos. Porque eles tinham um bebê demandando muito deles e não podiam perder tempo tentando se encontrar. Até que estava dando certo, com alguns sustos e situações ridículas pelo caminho.

— Você é — ela se aproximou e o beijou levemente. — Existe dia do marido fantástico, gostoso e prestativo? Porque dia do pai já me serve de um lado, mas eu percebi que você tem merecido presentes de outro lado também.

Sean pendeu a cabeça e riu, ainda mais porque ela usava aquele tom que fingia ser sério, mas ele sabia que era pura sacanagem.

— Então eu teria que arranjar um dia da esposa sensacional, deliciosa e maravilhosa. Porque dia da mãe também me serve de um lado, mas eu tenho uns presentes para você que precisam de uma data mais adulta.

— Você não consegue ficar na zona segura para menores de dezoito anos, não é? — Agora ela que ria.

— Por que eu faria isso conosco? A gente só consegue ficar na zona infantil quando a Bel está junto. É inevitável.

— Só porque você é sujo.

— Eu pensei que tinha acabado de ser promovido a marido fantástico.

— Também!

— Fantástico e sujo? Acho que serve.

— E descarado! Dia do marido descarado! Pronto! Devia ter uma foto sua do lado, bem no calendário para ilustrar esse dia.

— E quando vai ser?

— Amanhã, logo depois do dia dos pais. Faz sentido. Só ganha presente duplo se merecer.

— Então eu preciso ser um ótimo pai e um marido descarado? Fácil.

Ela gargalhava e Sean se divertia, olhando para ela. Beatrice apoiou a mão no peito dele e manteve o olhar no seu rosto, observando-o de volta. Ela gostava de ficar olhando para aqueles olhos turquesa e notando de novo cada detalhe que conhecia. Dava vontade de deslizar a ponta dos dedos pela sua boca, seguindo o lábio superior, aquele que era mais protuberante e com a curvinha muito sutil. E depois descer para seguir o corte afiado da sua mandíbula.

— Eu gosto de olhar para você assim, perto de mim — ele lhe disse baixo. — Eu nunca vou me cansar disso. Não vai ser suficiente e não vou parar, porque não importa quanto tempo passe, nada compensa todo o tempo que quis tê-la tão perto e o quanto eu quero agora.

Bea o segurou pelo rosto e o beijou, depois o abraçou apertado e descansou o rosto contra o seu. Sean gostava disso, proximidade era seu novo nome do meio.

— E eu gosto de ficar perto de você. Eu adoro como nunca preciso pedir para me abraçar de volta ou me beijar, você sempre corresponde. E sempre sabe quando preciso. Não importa o momento, eu tenho certeza que você vai me apertar contra você e fazer tudo de ruim que eu estiver sentindo ir embora. Na verdade, você vai afugentar meus sentimentos ruins e ficar comigo como um guardião feroz, impedindo que eles voltem. E eu não sei como passei todo aquele tempo sem você.

Sean a segurou pelo rosto para olhá-la e acariciou sua face, afastando seu cabelo.

— Meu amor — ele lhe disse baixo, naquela sua voz densa e entregue, permeada pelos seus sentimentos. — É o que você faz comigo. Eu lhe disse, você me mantém aqui. Não é só uma declaração, não é qualquer merda que eu possa repetir longe de você ou para qualquer outra pessoa. Pois é você, só você. Não dá para correr de demônios como esses, eles não estão atrás de mim. Eles vivem dentro de mim. E você me fez encarar e só assim eu entendi. É você que os mantém presos, lá naquele buraco escuro onde eles não podem me tocar. Você me guarda o tempo inteiro. Eu não suporto ficar longe de você ou perder a conexão. Eu não posso correr mais rápido do que eles, mas posso correr para você. E eu sobrevivi ao tempo longe de você, com a única esperança de que esse momento chegaria. Em que estaríamos bem aqui, agora.

Ela cobriu a boca com os dedos, balançou a cabeça e o pegou pelo pescoço, abraçando-o de novo.

— Ah, Sean… É dia dos pais, como você faz isso comigo?

— Você é o meu presente, não importa o dia. Mas você não tem limites, Bea. Então resolveu me dar aquele presente pequenino que tornou esse dia especial para mim.

— É o que eu sinto por você que não tem limites — ela acariciou seu rosto.

— Não existe limites entre nós, lembra?

— Sempre — ela lhe deu beijos leves e murmurou contra seus lábios repetidamente. — Eu te amo tanto.

E ele murmurou de volta o quanto a amava. Eles saíram dali e foram ficar juntos na sala de TV, mas estavam mais ocupados um com o outro do que com o programa que estava passando. Jared ligou para parabenizar e Sean ainda o zoou, afinal, ele era novamente um pai de gato.

Brianna apareceu e deitou no tapete a frente deles, roendo o seu biscoito especial, pois ela também estava comemorando o dia.

E Sean estava aterrorizado com a ideia de que eles pretendiam deixá-la cruzar em breve. Ou seja, era também um típico pai de cachorro. Já tinham até conhecido o dono do Akita Inu macho que veriam se Brianna iria simpatizar.

Bea não parava de pensar que se isso desse certo, seriam filhotinhos demais. Eles não tinham como lidar com isso, seria mais ajuda profissional — dessa vez temporária — para contratar. E eles não pretendiam manter nenhum dos filhotes, Brianna seria sempre uma filha única canina. Mas era pelo menos um mês e meio com todos os filhotinhos lá.

A frase que Sean mais proferia sobre o assunto era:

— Eu não estou gostando nada disso — geralmente, ele dizia isso e acariciava a cabeça de Brianna, nem um pouco convencido sobre deixar sua adorada cadela com esse tal cachorro. Se Bri não fosse com a cara dele, Sean ia mandá-lo para casa imediatamente.

Belle, por seu lado, tinha chances concretas de não ser eternamente filha única. Ela dormiu por quase uma hora, depois Bea a levou para ficar com eles. Apesar de uma fralda trocada, estava tudo bem, não parecia que haveria incidentes naquele resto de Dia dos Pais que os quatro passariam juntos. O primeiro de muitos que comemorariam. As surpresas, por outro lado, estavam só começando.


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Esta cena vem após este livro e antes do Ward #4